Na Catedral de Jerez

O que me levou a Jerez de la Frontera foi uma gala de Arte Equestre, protagonizada pela Real Escola da Andaluzia e pela Escola Portuguesa, e dela dar-lhe-ei conta em breve, mas não podia deixar de ver a Catedral da cidade, amante que sou destas Casas de Deus, pelo que de Belo exibem. O templo consagrado ao Senhor Salvador, e elevado à dignidade catedralícia em 1980 por decisão de João Paulo II, impressiona a muitos metros de distância pela exuberância das suas fachadas barrocas, e três são, ricamente trabalhadas na pedra. Todo o edifício é aliás em pedra, originária da serra de São Cristóvão, à excepção das cúpulas das naves laterais. Levou tempo a sua construção (séculos XVII e XVIII) e em grande parte foi custeada pelos reis de Espanha, Carlos II, Luís I e Carlos III, a partir das receitas obtidas pelo vinho da região, e até por dois papas, Inocêncio XIII e Benedito XIII.

Pena tenho por não ser permitido fotografar o tesouro da Catedral, tantas as obras de arte que deslumbram o nosso olhar, desde “A virgem menina meditando” de Francisco Zurbaran, genial pintor do barroco espanhol, que volta e meia figura nas maiores exposições de arte internacionais, a uma custódia processional, trabalhada em prata maciça com mais de dois metros de altura. Mas uma foto tirei “à socapa”, com o telemóvel para não dar tanto nas vistas, de Santo António, para aqui pecador confessar a minha ira, que se até entendo que os italianos o digam de Pádua porque ali viveu, pregou como Doutor da Igreja, se deu o seu passamento, estando sepultado onde hoje é a Basílica a si consagrada, já sinto fornicoques quando os espanhóis fazem o mesmo (segundo a inscrição exibida ao lado da imagem). É que António é de Lisboa e até o Papa o diz! E mesmo que o não dissesse! Sabêmo-lo Fernando e nascido bem pertinho da Sé!