
Gosto do nosso Património, já se sabe, e pena é que muito dele que se tenha, entretanto, degradado ou, mesmo, perdido, dada a incúria e desinteresse de quem nos tem (des)governado ao longo das últimas décadas, mas por estes dois monumentos tenho um apreço especial, não pela minha mania das grandezas, mas por terem sido os primeiros que visitei, era eu rapazelho, de nove anos, levado pela mão do meu pai, quando de férias vinha a Lisboa.
Lembro-me de me ter embasbacado perante a grandeza do Palácio Nacional de Mafra e aterrorizado pelo que se dizia ele esconder: desde um homem que havia sido ali emparedado vivo às enormes ratazanas assassinas que habitariam os subterrâneos. Tudo balelas, bem sabemos, mas que emprestam uma maior teatralidade aquele que é, por si só, o expoente máximo do que do Barroco temos para mostrar.
www.palaciomafra.pt

Já no de Queluz eram, particularmente, os jardins que me encantavam pelos seus buxos geométricos e pelas figuras mitológicas da antiguidade clássica que pontilham o espaço, tão ao gosto do século XVIII. Lembro-me do ruído babado das águas das cascatas e dos tanques, e de ali me sentir bem como se fora um espaço íntimo de estar.
Não mais deixei de ir a um e a outro e ao encontrar estas fotos, tiradas não há muito, recordei-me de como a infância é a nossa pátria.
www.parquesdesintra.pt


