Gosto de uma cozinha moderna, criativa, e apelando a todos os sentidos, mas de modo algum recuso a que nos remete às memorias do paladar. Como resistir à rusticidade de um lombo de porco cozinhado em forno de lenha? Assim se fez cá em casa, este fim-de-semana.
Não havia tempo para o deixar ganhar sabor em olorosa marinada, daí que se tenha preparado um caldo de aromas onde o lombo haveria de estufar.
Levou-se ao lume um caçoilo de ferro (cocotte) que depois pudesse ir ao forno, com bom azeite, quatro chalotas e duas cebolas roxas, descascadas e cortadas em meias-luas, dentes descascados e cortados grosseiramente de uma meia cabeça de alho, uma folha de louro, sem o veio central, duas colheres de mostarda em grão e uns quantos destes de pimenta preta, um bom ramo de alecrim (não falta aos molhos no meu jardim). Deixou-se dourar antes de se lhe acrescentar um bom copo de vinho branco de qualidade, uma lata de tomate pelado e esmagado com os dedos, com a respectiva calda e tempero de sal. Deixou-se ferver para libertar o álcool e apurar. A este caldo de tantos aromas, juntou-se o lombo e logo se tampou o caçoilo.
Forno com ele, já a uma temperatura de 160ºC, para a carne amaciar por hora e meia.
Foi o lombo acompanhado com batatas e estas não lhe ficaram atrás em paladar. Falo de batatas novas, com pele e cortadas ao meio, cozinhadas também no forno de lenha, em azeite com tempero de sal e de pimenta preta em grão.



