
Lisboa é tudo isto e muito mais.
Rio, casario, becos, avenidas… É garridez, apesar de a dizerem branca, é beatice, apesar de a sabermos viciosa. É meiguice e desvario. Canalhice e afago. É zimbório tocando o azul e calçada onde nasce o mar. É caldo verde de esperança e manjerico de melancolia. É palácio de idas glórias e casa de meretriz.
Nunca se tem Lisboa, que sempre há algo para descobrir, por isso por ela andámos uma tarde destas, junto ao Tejo, que cheira à partida, e pelas ruelas, veias de um corpo cansado. Subimos ao Chiado que já foi dos poetas. Deambulámos pela Mouraria onde o fado ainda dói. Acastelámo-nos onde a cidade se deixa abraçar. Vimos roupa nas janelas, animada pelo vento. E pessoas a acenarem-nos. Mãos asas, cheias de afecto.
Gargalhámos, disparatámos, que é jeito que temos de ser dois em um e fizemos daquela tarde uma festa, como se não tivéssemos feridas por lamber.



