
São as latrinas do século XXI. E lembrei-me disto ao entrar numa casa de banho pública, em plena auto-estrada Lisboa-Porto, mais concretamente sentado na sanita, perdoem-me a imagem, e ao verificar que a respectiva porta estava imaculada, sem um gatafunho que fosse. Por onde andariam as mensagens que outrora ali se encavalitavam? Difamatórias, covardes, pornográficas (onde nem faltavam as gabarolices da ordem, como o tamanho da pila ou “eu faço-te isto e mais aquilo”). Pensei por segundos, que logo encontrei resposta: ora por onde haveriam de andar, estão todas nos murais do facebook, sem tirar nem pôr. Têm o cheiro fétido do boato, da inveja, do ódio. A iniquidade da ignorância e do preconceito. Atrás delas escondem-se homúnculos de palavras purulentas e raivosas. Como se habitassem no fundo de um vale onde nunca se vê o sol.
Ora aqui está um desejo para o dia em que eu sair da cena televisiva, ainda que para isso faltem uns bons anos: mandar às urtigas o mural do facebook (se entretanto já não tiver quinado de caquético), que o tenho porque a isso fui “obrigado” pela estação, assumindo-o como eficaz ferramenta de trabalho. Felizmente que a grande maioria que o frequenta, cada vez mais perto do milhão, é gente polida, civilizada, que me acompanha e me quer bem, o “problema” são os medíocres e covardes que se unem pacientes, insaciáveis, rasteiros.
São os que por existir me culpam, por falar me querem proibir as palavras. Nunca entenderão que vale a pena viver da verdade, mesmo que seja difícil, e que é possível ser feliz seguindo o próprio caminho.
É o que eu digo, talvez influenciado pelo local onde me pus a pensar: há sentimentos que são uma merda!


