A TELEVISÃO, O MEU MUNDO

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a Maria Alberta Méneres
a Maria do Sameiro Souto
por me terem aberto a porta do meu Mundo.

Rapazelho ainda, por certo não entendia muito do que diziam aqueles senhores que entravam todas as semanas, na nossa casa a horas certas, mas havia neles qualquer coisa que me fazia ficar preso à pantalha. Muitos anos depois, haveria de saber que tal jeito tem palavra que o define: carisma. Falavam de Teatro (António Pedro), de Música (Luis de Freitas Branco, José Atalaya), de Poesia (João Villaret), de História (José Hermano) ou das coisas da Vida (Vitorino Nemésio) com palavras inspiradas, sábias, sagazes… Numa televisão a preto e branco logo a palavra ganhava cor. A cor e a luz da insubmissão, da inquietude, da reflexão. Pertenço a uma geração para quem a televisão apontou caminhos e não será por acaso que sempre gostei de Teatro, chegando nele a oficiar, e de Música Clássica e que procuro tratar com desvelo a língua-Mátria. Mais tarde, descobriria com José Mensurado (nos seus “Frente-Frente”) e com Carlos Cruz, ainda enquanto espectador, o gosto por uma boa conversa, aquela que decorre franca, à flor da água, sem pressas nem espartilhos. Era um tempo em que havia tempo, em televisão, para olhar nos olhos e procurar no outro a verdade, o exemplo, a inspiração. Quando brincava, olhando o televisor lá de casa como se fosse uma câmara e inventando cavaqueiras com convidados imaginários, sabia que um dia a brincadeira tornar-se-ia a minha Vida, exigente, feérica e avassaladora. Não, para mim não há um Dia Mundial da Televisão, porque todos os meus dias são dela. É através dela que me dou, naquilo que entendo como o meu melhor. Procurando honrar quantos através da palavra e das ideias me arrebataram, mostrando que o sonho é possível.