
Gosto, e muito, do que Joana Vasconcelos concebe, por isso bem quis ir até ao Guggenheim de Bilbau, para ver a sua exposição “I’m your mirror “ e nessa ida aproveitava para visitar o casco histórico da cidade que desconheço, tinha até hotel e viagem marcadas, que sou dos que planeia tudo com antecedência não dando margem a qualquer improviso, não tivesse a saída da Cristina para a SIC alterado os meus planos impedindo-me que saísse de antena. Felizmente que a exposição veio, entretanto, para Serralves pelo que aproveitando uma ida ao Porto logo a quis visitar.
Há quem diga que a artista faz do lixo luxo, procurando de forma rasteira e redutora castigar o seu trabalho, talvez por ter sucesso, porém o que Joana utiliza nas suas obras são objectos do quotidiano, do ambiente doméstico que vive em cada um de nós. A própria o diz: “o nosso ambiente doméstico não é lixo, pelo contrário é um lugar que se deve preservar, valorizar e que se deve ter em conta como um lugar seguro, um lugar de prosperidade”. Usando imagens, materiais e técnicas tão enraizadas na nossa cultura popular, como o azulejo, o bordado, a renda, a cerâmica … Joana Vasconcelos aproximava a sua arte da vida real. E são da vida real as mensagens que as suas obras vinculam, alterando padrões, rasgando mentalidades, por isso também gerando polémicas. Museus e coleccionadores de Arte compram-na, o povo entende-a ou procura entendê-la e acorre às suas exposições. Em Serralves, naquela manhã de sábado vi pais e filhos, muitos, cativados pela cor, pelas formas, sobretudo pelo uso de objectos do privado que a artista traz para o público com criatividade, humor e ironia. Aproveite, enquanto Joana Vasconcelos mora em Serralves.


