A senhora das palavras

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Não, não é um musical à La Féria, com uma grande montagem, grande produção, grande (em número) elenco, enfim, com tudo em grande! Simone merecê-lo-ia! E nós também!

É porém um espectáculo imperdível pela contenção, pela elegância e sobretudo pelas palavras. As palavras dos poetas que há muito acompanham Simone e ali são cantadas com raiva, dor, enlevo… com alma… como só ela sabe fazer, e as de Tiago Torres da Silva, o autor, a quem nunca falta a pena, do que vemos em cena. É nas palavras que me demoro, esquecendo na sua grandeza a quase ausência de cenografia. É com as vozes de Sissi, Marta Andrino, Rúben Madureira e FF que me espanto e na sua qualidade esqueço a fragilidade de algumas marcações de cena.

É com Maria João Abreu e José Raposo que me deslumbro e na enormidade do seu talento de composição amacio o desejo em querer ver mais oficiantes em palco.

É com Simone que me comovo, por tantas que nela vivem, feitas de audácia, de rebeldia, de coerência, de insubmissão… de liberdade. Imagino a sua felicidade ao ver-se, noite após noite, coroada, de pé, por intermináveis aplausos e gratos bravos. Imagino-a de coração cheio regressando ao seu “pombal”, noite após noite, para no silêncio, o sítio onde se grita, continuar a celebração com os seus fantasmas.

Não, o musical Simone não tem o luxo e o aparato das grandes produções (talvez, nem tivesse de ter) tem porém a verdade dos poetas e são as palavras que se vestem de gala! E é Simone, sem “emenda(s)”, que as entretela.

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Simone, o musical

Em cena no Teatro Tivoli – Lisboa

10 e 11 Novembro no Coliseu – Porto

17 e 18 Novembro no CAE – Figueira da Foz