Gosto ou chiquismo?

O Manuel Luís gosta mesmo daquela cozinha ou é só por ser chique?! – perguntou-me, assim de supetão, a Fátima, senhora do público que estimo, por certo levada por uma foto que publiquei no meu instagram (mlgoucha) de um jantar que fiz num dos restaurantes parisienses de Alain Ducasse, um dos melhores chefs da cozinha francesa, de fama mundial. Aquela cozinha, de que falava a Fátima, é o que muitos chamam de cozinha de autor, eu diria, no caso, uma cozinha francesa contemporânea, resultado de anos de trabalho e experimentação, de apuro técnico e estético e de respeito pela qualidade e características dos produtos. Uma cozinha inteligente, porque assente em métodos de confecção saudáveis, também por isso actual e moderna, eu diria de estação, porque privilegiando os produtos do mercado, criativa e apelativa na sua eficácia cromática e na mancebia de sabores. Nada de uma cozinha estrambólica antes simples e em que as coisas têm o sabor que devem ter, porém delicada e sobriamente requintada.
O conceito é sempre o da qualidade do produto sem excluir uma certa fantasia gustativa.

Sim, gosto muito de cozinha de autor, tal como gosto da chamada cozinha de conforto, aquela que nos remete para a cozinha das avós, feita de suave quentura e de muito afecto. São emoções distintas unidas pela mesma verdade: o gozo dos sentidos!