Alucinante pelas emoções e não por correrias ou sobressaltos, que há um tempo diferente nesta terra imensa e quente. As coisas fazem-se, claro que sim, mas pela fresca da alva ali até manhã alta, que é quando o sol já arde na pele, e depois a partir do meio da tarde até aquele se afundar no horizonte que é quando os campos são como que aspergidos de oiro.
No monte há sempre coisas a alterar ou a melhorar, agora substituiu-se a gravilha do chão por pavimento em pavê, por uma questão de praticidade e limpeza, assentá-lo é coisa trabalhosa e de minúcia, como quem rendilha, e fico horas a ver quem o faz, inspirado por saber na eficaz equipa dois homens de setenta, cheios de energia. Ganharam-se mais espaços para a contemplação e aqui entro eu em cena com o jeito que julgo ter para a decoração. Há que criar novas zonas de lazer, já tenho ideias, é “trabalho” para a próxima vinda, mas mesmo assim mudou-se o que estava, da cama, onde leio e modorro, vejo agora os campos e as águas mansas da barragem.
Chegou a gaivota que havia encomendado antes das férias de Agosto (não das minhas, que gosto desse mês para oficiar), não havia em estoque, que a queria com azul para não destoar do mais do monte, se bem que o amarelo proposto também tivesse a ver com as bordaduras do casario deste Alentejo do alto. Claro que houve passeata, a bom pedalar, com cantorias e um rosé fresquinho, de 2017, da adega Lima Mayer, que é aqui a dois passos. Apreciador que sou de bom vinho não podia ter melhor vizinhança, que por estas terras de Monforte não faltam opções vinícolas de excelência, entre brancos e rosés acídulos e frutados e tintos de mastigar.
É altura das ovelhas parirem, por aqui já começaram os nascimentos, três entre uns oitenta que estão previstos. É o milagre da Vida a que assisto sempre com espanto e alguma comoção. Também três das éguas estão cheias mas esses partos já só para o ano, quero é ver se não falho a estar presente nem que para isso meta férias.
Fizeram-se saladas para saciar o apetite, que é o que apetece, com temperaturas nos trinta enquanto o país a norte “metia água”, e desta nada de pão, quase pecado nestas terras, tamanha é a perdição. Variadas e gulosas como a de peito de pato que em breve aqui publicarei.
E passeou-se muito sempre acompanhados pela Azeitona, já guardadora do rebanho, e pela Pesqueirinha que, apesar de felina e completamente à solta na herdade, segue-nos por todo o lado.
É viver em estado permanente de deslumbre e contentamento. Ingrato não sou, por isso a cada aurora (e se aqui durmo bem!) agradeço à Vida!














