… Naquela noite de 6 de Julho de 2001, entre a plateia aperaltada, para escutar Diana Ross, no palco do Casino da Póvoa de Varzim. Já o havia feito com Liza Minelli, no mesmo local, no antigo estádio das Antas, com Frank Sinatra, no Casino Estoril, com Shirley Bassey, no Palais des Congrés, em Paris, com Charles Aznavour, e fi-lo mais recentemente no O2 Arena, de Londres, com Barbra Streisand, tudo ídolos da minha adolescência.
O espectáculo foi correndo conforme o esperado, talvez um pouco morno pelas suas faculdades vocais e pela sua resistência em palco já não serem as mesmas de outros gloriosos tempos, o que nunca impede de me emocionar quando perto de quem admiro, ou talvez pela formalidade da plateia, espartilhada nos seus longos e faiscantes vestidos, nos seus smokings e papillons … até ao momento em que a cantora se engana na letra de um dos seus êxitos de sempre (acontece aos melhores!). Na plateia uma jovem de quinze anos que “tirava de letra” todas as canções da artista, atira-lhe a frase perdida, cantando-a, o que permite à artista retomar “o fio à meada”! É então que se dá o inesperado: Diana Ross desce do palco e, acredito que grata, dirige-se à jovem iniciando ali com ela um avassalador dueto. A sala entra em delírio! Ainda hoje vibro ao recordar o momento. A jovem mostra-se à altura do desafio, porque já dona de uma voz poderosa. Soube depois que Diana Ross lhe deixou um bilhete com ternas palavras de agradecimento e encorajamento. Já não sosseguei até final do concerto, tinha de falar com a jovem para no dia seguinte levá-la ao “Praça da Alegria”, o programa que então apresentava na RTP. Assim fiz, assim foi. Foi quando ficámos a saber quem era aquela jovem tão doce e talentosa: que se chamava Sissi, que tinha o sonho de ser artista, do mais completo, já que adorava representar, cantar e dançar, que via o seu futuro nos “musicais” e que para isso iria investir na sua formação, mesmo que tivesse de correr mundo. Não mais larguei o seu percurso, exultando com cada uma das suas conquistas: quando, ainda adolescente, vira cantora residente do Casino da Póvoa, quando foi estudar teatro para Nova Iorque, a cada contratação para os espectáculos de La Féria … ou, mais recentemente, ao vê-la de Simone no musical que celebra a própria. Sissi fez-se mulher mas sempre que a escuto vejo-a menina cheia de sonhos, de uma sensibilidade única que a voz sempre denunciará. Fica o(a) ledor(a) a saber a razão da minha eterna ternura pela Sissi Martins e do meu contentamento em sabê-la agora no elenco da nova edição de “A tua cara não me estranha”, que começámos a gravar esta semana, e que a dará a conhecer, finalmente, ao grande público, como merece. É que eu estava lá naquela noite de 2001, a noite em que nasceu uma estrela.
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Actualização: 14 de junho de 2018
Hoje, a propósito da vinda da Sissi ao Você na TV, voltei a contar esta história! Veja aqui.



