
… esta de fazer passar os jogadores da bola de bestiais a bestas, em três tempos, ou melhor dizendo em noventa minutos. Lembro, desde já, que me estou “nas tintas” para o futebol e nem sou daqueles que dizem “ah! mas quando joga a nossa selecção é diferente!”. Pois para mim não é, continuo “nas tintas”.
E não me venham com essa treta do patriotismo, que então terei de dizer que jubilo com um Ricardo Diniz, navegador solitário que ainda agora foi daqui até São Salvador no seu veleiro, ou com Maria João Pires, quando ao piano, encanta as mais exigentes plateias por esse mundo fora, ou com Paula Rego, quando faz desfilar multidões frente aos seus quadros ou com Siza Vieira, sempre que é honrado com um prémio internacional ou com Manoel de Oliveira, cujos filmes são tão gozados nesta parvónia e tão celebrados lá fora por quem realmente sabe de cinema, e podia ficar aqui a enunciar muitos outros nomes de portugueses que dão cartas nas mais diversas áreas, assumindo-se como os melhores entre os melhores. Digamos que a minha seleção é outra! O que não entendo é como é que um jogador que ainda há uma meia dúzia de horas era o melhor, agora, para muitos, já é um incompetente ou como é que uma selecção que ia arrasar com tudo e todos, agora já não tem estaleca para ir em frente. Quando se é bom, é-se, independentemente dos fracassos que possam ocorrer. Ou quando algo corre menos bem, ou mal mesmo, atira-se para o lixo toda uma folha de serviços? Isto sou eu pensando alto, permitam-me, e logo eu que olho para um desafio de futebol como “boi para um palácio”!
Compreendo a desilusão de quem é completamente “apanhado da bola”, mas calma minha gente, domingo próximo, tudo começa de novo, e vão ver como os jogadores, talvez, passem de bestas a bestiais. E já ficam todos contentes.
Quanto a mim, continuarei “nas tintas”.


