




Não dá para esquecer: 1992, ano da Exposição Internacional. A seguinte seria em Lisboa e mudaria por completo toda uma zona da cidade ao mesmo tempo que galvanizaria todo um povo (onde isso já vai!), mas aquela era em Sevilha e eu ali subindo o Guadalquivir no paquete Funchal. Três dias para ver a Exposição era o objectivo da viagem, mas dada a ardentia habitual no mês de Agosto, que é quando as temperaturas roçam os cinquenta, só mesmo dentro do barco é que se estava bem, com o melhor da cidade ao longe. Da Expo lembro-me de ter visto o Pavilhão do Chile e fácil é perceber porquê, já que um grande bloco de gelo, como se fora a ponta de um iceberg, era a sua atracção principal, e dos pulverizadores de água fresca e repuxos que existiam um pouco por todo o recinto para que os visitantes suportassem melhor a fúria do calor. Convenhamos que é pouca lembrança para um evento destes e se eu tenho memória de elefante! Saídas só à noite, uma, e foi para ver um espectáculo de sevilhanas.
Por isso agora que voltei a Sevilha por causa do MasterChef, já que ali se gravou a prova de equipas daquele que será o décimo terceiro programa, fi-lo como se fosse a primeira vez. E não é que me apaixonei pela cidade!? Pela sua energia, pelo seu património edificado (o centro histórico é dos maiores da Europa, com a mais imponente catedral gótica do Mundo, igrejas onde a arte é superlativa, o Real Alcazar, a Casa de Pilatos… memórias de uma cidade que já foi babilónica), pelos seus jardins, pela sua raça, de que o flamenco faz prova, pelas suas mais íntimas devoções.
Tanto e tão perto, apenas a quatro horas de carro. É difícil explicar a cidade, tem de se vivê-la. Talvez que as fotografias e o vídeo ajudem um pouco. Certo é que a ela hei-de voltar, ainda este ano, com a inocência do assombro, para que a cidade me construa e destrua a um só tempo. Que Sevilha é dessas, poética e canalha.



