




Estas fotos têm nove anos e são da Praça do Mercado, como é conhecida a praça maior de Cracóvia, na Polónia. Pela cidade deambulei, então, uns seis dias, tendo tido a sorte de ver a minha estada coincidir com o festival de música clássica, que todos os Verões ali tem lugar. A própria Praça serve de palco ao espectáculo de encerramento, onde a dança, a música e o canto enfeitiçam a noite. Lembro que afora os concertos para os quais comprei bilhete e que na maior parte dos casos ocorreram em algumas das mais belas igrejas da cidade, e muitas são, do gótico ao barroco, pude, ainda estou para perceber como, assistir ao ensaio geral de um espectáculo de Jordi Savall e Montserrat Figueras, para o qual a lotação há muito que estava esgotada.
Ao passar numa das ruas da cidade ouvi música e logo fui entrando pela porta do auditório que estava aberta. Sentei-me bem ao fundo da sala, como quem não quer a coisa e ali me fui deixando ficar sempre na expectativa de vir a ser expulso. Certo é que assisti a todo o ensaio, pr’aí umas duas horas, tal e qual como se fosse o concerto daquela noite, só que com os solistas “à paisana”.
















Nove anos depois voltei a Cracóvia, por três dias, com o objectivo de filmar Auschwitz, memória de um tempo de terror e ignomínia. E dei comigo, de novo, na praça de todos os encontros. A luz é diferente, outonal, mas há a cor das flores, que é dia de mercado, e a do frio, a modos que cinzento azulado. A altivez e elegância originais do Velho Mundo, mantêm-se. Nem parece que a cidade tem mais de mil anos.


