Domingo no Monte

Algumas nuvens não davam para ameaçar a tarefa. Havia que cuidar dos canteiros, queimados do frio e das geadas. Flores nem vê-las, que ainda não é o tempo delas, resistem os oliandros e algumas ervas de bom cheiro. Foi dia de revolver a terra, de a estrumar com esterco das nossas éguas curtido pelo sol e pelo tempo, e de plantar os bolbos de begônias, narcisos e coroas imperiais. Agora é esperar, para que os canteiros voltem a florir num triunfo de cores e olores.

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O almoço

De véspera tinha cozido as pêras e preparado o caramelo. Em vinte minutos fizeram-se as costeletas de borrego com o acompanhamento de espargos selvagens, que começam a aparecer e que comprámos no mercado de sábado, em Estremoz.

Costeletas de borrego com espargos

6 costeletas de borrego (3 por pessoa)

sal e pimenta preta moída na hora

tomilho seco

farinha de mandioca

sumo de limão

espargos selvagens

3 dentes de alho

azeite

gordura de presunto (facultativo)

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Tempere as costeletas de sal, pimenta preta moída na altura e tomilho seco.

Passe as costeletas por farinha de mandioca, sacudindo o excesso. Deixe repousar por uns vinte minutos para que ganhem gosto.

Aqueça uma frigideira de fundo anti-aderente. Junte um fio de azeite. Frite as costeletas. Pelo facto de terem sido passadas por farinha de mandioca, as costeletas vão ficar crocantes.

Antes de empratar, borrife as costeletas com algumas gotas de sumo de limão.

Os espargos

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Aqueça numa frigideira de fundo anti-aderente um bom fio de azeite e doure três dentes de alho picados.

Junte na frigideira as pontas de espargos. Tape e deixe que as pontas de espargos cozinhem no azeite por breves minutos. Para que ganhem um gostinho especial pode juntar, se tiver, um pouquinho de gordura de presunto ou mesmo umas tirinhas de presunto com alguma gordura.

Gosto particularmente do sabor ligeiramente acre dos espargos selvagens. Se não apreciar, afervente-os por instantes, antes de os saltear no azeite.

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Pêras com molho de caramelo

4 pêras grandes William

chá preto

1 pau de canela

1 estrela de anis

1/2 dl. de natas

para o molho de caramelo

100 gramas de açúcar

1/2 dl. de água

1 dl. de natas

1 colher(sopa) de manteiga

sal

Faça previamente chá preto. Junte ao chá já feito, um pau de canela e, se tiver, uma estrela de anis. Leve o chá ao lume num tacho e junte as pêras descascadas e inteiras. Deixe cozinhar, em lume brando, até que as pêras estejam macias.

Reserve duas pêras para cortar em quartos. As outras duas devem ser reduzidas a puré, no copo da sua liquidificadora. Junte ao puré a nata e se, achar necessário, adoce com um pouquinho de açúcar. Reserve.

Prepare o caramelo: leve ao lume um tachinho com o açúcar e a água e deixe ferver até que a calda ganhe uma cor de caramelo dourado. Junte as natas, em fio, sem parar de mexer com uma vara de arames. Retire do lume e junte a manteiga. Mexa para que a manteiga derreta. Tempere com umas pedrinhas de sal. Deixe arrefecer.

Na hora de empratar, coloque em cada prato uma boa colherada de puré de pêra.

Sobre este, espalhe um pouco do molho de caramelo.

Coloque, então, os quartos de pêra.

Polvilhe com bolacha grosseiramente ralada. As bolachas que melhor casam com esta receita serão as de especiarias.

Pode servir esta receita em copos, distribuindo o puré, o molho de caramelo e as pêras, neste caso, cortadas em cubos, pelos copos. A última poderá ser de puré ou de caramelo, polvilhado de bolacha ralada grosseiramente.

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As receitas foram calculadas para duas pessoas.