De Manel para Manel…

manuel_forjazConheci Manuel Forjaz há precisamente 20 anos. O seu livro “Nunca te distraias da Vida” lembra-me o ano em que foi: 1994. Eu apresentava o “Praça da Alegria” e o Manel era, então, director-geral da Livraria Bertrand e na altura meu convidado para falar de uma iniciativa sua, a primeira edição de Livros no Chiado.

Lembro-me do impacto que causou, porque bem apessoado, sem dúvida, mas sobretudo pela clareza de raciocínio, pela paixão com que defendia o projecto e pela clara capacidade de mobilização. Não mais lhe perdi o rastro. Ao longo do tempo fui sabendo dele, pelo próprio e, particularmente, pela sua mulher Helena, com quem trabalho há alguns anos, primeiro na RTP, depois na TVI. Esse Manel, fonte de inspiração, foi o mesmo que encontrei, vinte anos depois, no seu livro e que tive o privilégio de apresentar perante uma plateia de centenas de amigos e admiradores. As circunstâncias eram diferentes: o Manel há quatro anos que lutava contra um cancro, mas em momento algum deixou de ser o Manel que avassala, que arrebata, que empolga. A agenda continuava a ser sua, ainda que, agora, partilhada por médicos, consultas e tratamentos. E em momento algum o vi querer desistir ou, mesmo, abrandar. Achá-lo um coitado era ofendê-lo na sua inteligência e dignidade. A vida continuou com projectos, ideias, alegrias, desafios e… um cancro. Que não levou a melhor… até hoje. Nesta luta desigual, o cancro venceu. Mas não nos levou o Manel. Levou um corpo cansado, massacrado, mas não a sua luz, não o seu sorriso, não a sua verdade.
Pessoas assim só morrem quando as matamos no nosso coração e na nossa memória.
Estou triste, claro que sim… mas o encantamento de o ter (sim, de o ter) na minha vida, é certamente maior.
Por isso, de Manel para Manel te prometo: nunca me distrairei da Vida!