“P’ró Natal o meu presente eu quero que seja
a minha agenda, a minha agenda…”
Lembra-se da cantilena? Já tem mais de vinte anos, mas sempre que penso em comprar a agenda para o ano que se segue, é inevitável recordá-la. Quanto à dita, já a tenho, sendo que não a dispenso bojuda com uma folha para cada dia, que sou daqueles que gosta de anotar todos os afazeres, não vá a memória atraiçoar-me.

Gosto desta, da papelaria Emílio Braga, mosqueada, mas também as há cheias de cor, do magenta ao amarelo. E já que passei pela papelaria com fábrica nos fundos, acabei por comprar também alguns blocos para neles tudo apontar, que os tenho sempre por perto como ferramenta de trabalho e de lazer, tanto servindo para receber a pesquisa, sobre isto ou aquilo, que me há-de ajudar numa conversa televisiva ou numa reportagem no exterior, como para cumpliciar frases soltas, memórias, estados de alma ou desabafos.
Dei por mim encantado com o processo que lhes dá forma e carácter, e que se mantém tal e qual como Emílio Braga ensinou há praticamente cem anos (1918), quando na rua Nova do Almada abriu uma das melhores papelarias da cidade. Eis o caderno (ou bloco) português, resistente, elegante, de capa forrada a papel “chagrin”, lombada e cantos coloridos, de fabrico artesanal. Anda na mão de poetas, escritores, ensaístas, jornalistas, actores… gente de ideias rasgadas, quase como objecto de culto. Hoje não troco um destes por um Moleskine. Não mesmo!








www.emiliobraga.com


