Gosto de chapéus e houve tempo em que comprei alguns, porém acabei por desistir por achar que não me ficavam bem. Os anos foram passando, deixei crescer a barba, depois cortei o cabelo rente e não é que agora já gosto de me ver enchapelado! Vai daí tirei das chapeleiras os que tinha e juntei-lhes mais dois ou três. Enfim, um bom pretexto para me dirigir uma vez mais à centenária chapelaria do Rossio, “Azevedo e Rua”. O negócio mantém-se na família de Manuel Aquino, o produtor de vinho que, em 1886, ao ver as suas vinhas durienses arruinadas pela filoxera procurou em Lisboa que fazer com o dinheiro que um tio padre lhe havia emprestado, e já vai na quinta geração. Quando sabemos do lamentável fecho de várias lojas de tradição no centro de Lisboa, não deixo de jubilar por ver que a vetusta chapelaria continua a dar cartas na variedade de produto que oferece aos seus clientes de sempre, a muitos outros bem mais novos mas igualmente cativados pelo acessório e turistas, encantados pelo charme e beleza da loja, afinal o que marca a diferença num centro histórico que se quer irrepetível.
Há de tudo, dos panamás que, afinal, vêm do Equador aos cocos e cartolas, passando pelas mais elegantes capelines, que as senhoras também têm direito a ficar janotas. Já as bengalas, que as há também, guardadas ficam para ocasião que espero ainda longínqua, que até posso um dia fraquejar das pernas mas perder a pose é que nunca!
Chapelaria Azevedo e Rua
Praça D.Pedro IV (Rossio), 73
Lisboa
www.azevedorua.pt



