




Foi por uma amiga que ouvi falar pela primeira vez da “Casa da Ínsua”: “Tens de lá ficar. É a tua cara. Vais gostar!”. Depois vi-a, e mais do que uma vez, em reportagens na televisão e sim, dei comigo a pensar que o hotel teria a ver comigo, que, para além do conforto e das mordomias, do que gosto mesmo é de casas com história. E esta tem de sobra, construída que foi no século XVIII, a mando de Luís de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, Governador e Capitão General de Cuibá e Mato Grosso, no Brasil. Está onde antes era a anterior Casa da Ínsua, de meados do século XIV, erguida por João Albuquerque e Castro, Alcaide-Mor de Sabugal, mantendo-se dessa alguns elementos como o terraço e a capela. A Casa da Ínsua continua dos Albuquerques ou melhor do último descendente da família, mas é desde 2009 um hotel de charme de cinco estrelas, há meses integrado no grupo “Paradores” (daí que oitenta por cento da clientela seja espanhola). Para lá ficar teria de esperar por um bom motivo que me levasse para aquelas bandas e foi o que aconteceu agora, devido a uma sessão de autógrafos que decorreu na bela cidade de Viseu. Melhor que quaisquer palavras, as fotos falam por si.



Do pequeno almoço ao jantar tudo se passava nesta sala. A família refeiçoava nesta mesa, usando a louça Companhia das Índias, ainda exposta no louçeiro. Repare-se ao centro da lareira, no brasão da família inclinado, que esse era sinal da existência de filhos bastardos.


Nesta pequena sala atendia-se o telefone. O aparelho é o original, o primeiro da família e de toda a Beira Alta.


Era à volta da grande lareira do arquitecto Nicola Bigaglia (veneziano residente em Portugal a partir de 1880) que a família seroava. O chão da sala do piano é o original, feito com quatorze tipos de madeira.



É nesta sala que encontramos os retratos dos senhores da casa, a começar pelo seu fundador Luis de Albuquerque. No quadro maior veja-se Francisco de Albuquerque montado no seu cavalo, fazendo-se acompanhar pelo seu cão correio, isto porque o transporte do correio entre Mangualde e Penalva do Castelo era feito pelo canídeo.












O mais é perder-se no jardim de inspiração francesa, à Le Notre (o maior paisagista do barroco francês, autor dos jardins do Palácio de Versalhes e do Jardim das Tulherias, ao tempo do Luis XIV) e onde florescem rosas e camélias…










…e pela quinta imensa outrora fervilhante de actividade, já que aqui se fazia tudo o que era necessário para na casa viver. Do pão aos móveis, passando até pelo fabrico de gelo. Actualmente continua-se a produzir azeite, vinhos (alguns medalhados internacionalmente) queijo e requeijão do leite das suas ovelhas e compotas que perpetuam os aromas e sabores dos seus frutos.
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