Breve história de um surripianço

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Confesso: surripiei um pouco de trufa ralada, aquela que encontrei nas bancadas do Masterchef depois de uma prova onde ela deveria coroar o prato do dia. Então, se não a souberam aproveitar, com receio do seu olor e sabor, alguém o teria de fazer!

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Chegado a casa, logo me lembrei do mais simples: uns ovos mexidos com um pouco de nata e postos a amaciar numa frigideira quente com manteiga. Duas ou três voltas para começarem a coagular e o resto é feito pela quentura que se mantém na frigideira tirada do lume. Resultaram babosos como gosto e a servir de cama aos salpicos de trufa ralada. Um verdadeiro manjar dos deuses.

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Sobrou outro tanto que metemos numa garrafinha de azeite para que este ganhe um sabor trufado. Hei-de utilizá-lo, em fio, para perfumar pratos de massa.

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Das trufas, disse Brillat-Savarin (cozinheiro e gastrónomo francês) serem as pérolas da cozinha. Conhecem-se mais de setenta variedades, sendo que a mais estimada é a negra do Perigord. Verdadeira jóia da gastronomia, tem preço a atingir os milhares de euros por quilo. Também as há brancas, como as do Piemonte, igualmente valiosas. Nós por cá também temos uma variedade de trufa, a túbera ou tubara, que cresce a trinta centímetros de profundidade junto às raízes de alguns sobreiros. Encontramo-la no Alentejo e Ribatejo e há quem a venda, nesta que é a sua época, à beira da estrada. Pena que sejam poucos os que a conhecem e apreciam. Muitas vezes acabam por serem dadas aos porcos. É então que faz todo o sentido o dito “dar pérolas a porcos!”.