A “FOLAR” É QUE A GENTE SE ENTENDE!

Em atapetando-se a porta da rua com flores cheirosas, era certo e sabido que lá em casa haveria de passar o senhor prior, de sobrepeliz e estola, mais o sacristão, de opa vermelha, e o rapazete da caldeirinha. Isto, em Coimbra, já lá vai um ror de anos. Aspergido de água benta ainda me recordo em ajoelhação e pousando emocionada beijoca na cruz. Agora o que me intrigava era a rapidez com que com que alguém guardava a nota que antes colocávamos sobre laranja lanhada, posta na mesa pascal, entre folares, ovos tintos e “calinhos” de vinho abafado.

A encantação começava antes, na quinta-feira santa, quando pela mão da minha avó, corria as igrejas da cidade, e sete teriam de ser, todas elas decoradas num triunfo de luzes e rosmaninho. Lembro-me de atribuir pontuações, como se de um concurso se tratasse, mas por certo nunca tive coragem de atrapalhar, com tais desvarios, as rezas e benzeduras da avó Palmira. Já na sexta da Paixão, não se comia carne, não se via televisão, nem música se ouvia. Os cinemas fechavam e o país mergulhava numa imposta, mas não sei se sentida, tristeza à espera das aleluias.

fotografia-302Folar da Páscoa

Ponha 1 quilo de farinha num alguidar e faça uma cova ao meio onde deita 80 gramas de fermento de padeiro dissolvido num pouco de água tépida. Junte 8 ovos inteiros, 125 gr. de manteiga, previamente derretida em banho-maria, e 250 gr.  de açúcar. Misture tudo com a farinha. Amasse bem, de modo a obter uma massa bem ligada e elástica. Salpique a massa com farinha e tape o alguidar. Deixe que a massa dobre de volume. Uma vez a massa medrada, separe-a em quatro porções iguais. Molde cada porção de massa em bola e achate o centro com o cotovelo, como manda a tradição. Disponha sobre a massa os ovos cozidos (para que fiquem castanhos coza-os em água com cascas de cebola) e prenda-os com tiras de massa. Pincele cada folar com gema de ovo e disponha-os no tabuleiro de ir ao forno. Deixe levedar uma vez mais, antes de os levar a cozer, a 180ºC.