
Vai de branco… no meio de tantas cores. Que isso se espera de uma noiva, se bem que a moda dos vestidos imaculados não tenha sequer duzentos anos. Foi em 1840 que Vitória de Inglaterra casou tal qual o figurino actual, com o seu muito amado Alberto (de Saxe-Coburgo-Gotha). E terá sido a primeira a fazê-lo, com véu e tudo, diz-se que numa alusão aos que as freiras usavam, enquanto noivas de Cristo. Se vai radiante? – presumo que sim, que leva igual tempo isso de ser o amor a ditar o enlace e não as conveniências da parentalha. Se vai ser feliz para sempre? – depende do cuidado dos dois, que isto de uma relação tem muito que se lhe diga, e em não sendo muito o desvelo não será o céu a remediar.

Curiosa cena esta que me levou a perorar que nem conselheiro matrimonial, quando o que me assombra mesmo são as cores do casario. Diz-se que por ser a ilha de pescadores viam estes só vantagens em tamanha garridez, como quem procura um guia em manhãs de névoa.

À soleira das portas imagino as rendeiras, que onde há redes rendas há, tecendo a fio e saudade, peças únicas de minúcia e lindeza. Ganharam fama, as de Burano, por esse mundo fora, muitas delas acabando no colo de gentis damas ou em tocados de nubentes. Até Luís XIV usou uma gola de renda original. “Não querem as novas saber da tradição, preferem a discoteca”, lamentou-se-me uma velha rendeira, ainda na arte para turista ver, orgulhosa dos seus trabalhos que o museu da ilha preserva.
Também elas, as rendas, são da cor do bem, do que é leve e inocente.

Já eu vou no azul. E gosto de todos, do celeste ao manganês. Cor do divino, logo eu impenitente pecador. Mas também do amarelo, do laranja, do rosa… É isso, sou um homem colorido! E é neste meu jeito de ser, que encontro um sentido para a Vida. Decididamente… em Burano, eu passava despercebido!

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