A coroa

fatima

Foram muitas horas de leituras e pesquisa, a juntar ao que a minha memória foi guardando ao longo dos anos sobre o assunto, para que me pudesse orgulhar, como profissional, do trabalho que fui chamado a cumprir em Fátima, na passada sexta-feira. Do tanto que ficou por dizer e contar retenho a história da coroa que encima a imagem da Senhora do Rosário, feita de ouro, pedras preciosas e gratidão. A imagem, que uma redoma de vidro à prova de bala protege, foi encomendada em 1919 por um devoto de Torres Novas e executada pelo santeiro José Ferreira Thedim, segundo o que o cónego Manuel Formigão disse serem os relatos dos videntes Jacinta, Francisco e Lúcia.

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A coroa rica, de um quilo e duzentos gramas de peso, usada nas cerimónias mais solenes, como as que decorrem a cada 13 de Maio e de Outubro, foi executada graciosamente pela casa Leitão & Irmão, joalheiros desde 1822, e da corte portuguesa por vontade de D.Luis. Nela trabalharam doze artífices, durante três meses, após um peditório nacional efectuado em 1942, em que as mulheres portugueses ofereceram ouro e pedras como prova de gratidão por Portugal não ter entrado na Grande Guerra. Feita com 313 pérolas e 2679 pedras preciosas só em 1989 ser-lhe-ia encastoada a sua “jóia maior”: a bala extraída do corpo de João Paulo II após o atentado de que foi vítima, a 13 de Maio de 1981, na Praça de São Pedro e que o Papa ofereceu à Senhora, aquando da sua primeira visita a Fátima, no ano seguinte, por ter sido “sua mão materna que guiou a trajetória da bala detendo-se o Santo Padre no limiar da morte”.