Já me haviam dito que as bifanas do Bexiga eram melhores que as de Vendas Novas. Mas como tirar isso a limpo se sempre que passava pelo centro de Monforte encontrava fechada a Casa das Bifanas? Ou porque eu ia a desoras ou por que o Senhor José já não está para passar horas e horas, com o estaminé aberto sem freguesia. É que são muitos anos a dar conta do recado, depois de herdado o negócio do sogro aberto nos idos de cinquenta. Este fim-de-semana é que foi: vindo de Estremoz de aparar a barba no Fragoso, que isto agora tenho outras preocupações capilares, cheio de larica, lembrei-me do simpático casal Ilda e José, que conheci na romaria dos Prazeres e rumei a Monforte para ver se era desta que metia dente nas tão famosas bifanas. Em boa hora o fiz, que agora sim posso afiançar serem as bifanas do Bexiga petisco de comer e lamber os beiços. Vem a fêvera em pão quente e estaladiço, a saber a alho e louro, e a desfazer-se em maciez e suculência. Gosto de lhe passar carícia de mostarda e de a fazer acompanhar de uma imperial bem gelada, que, apesar de não ser dado à cerveja, é bebida que me sabe bem quando o calor aperta. Tenho que para o próximo fim-de-semana estou lá caído, ainda por cima porque a conversa solta e franca também é garantida.
Casa das Bifanas
Rua Visconde da Luz, 20
Monforte









