Há cem anos que a ópera tem honras de festival em Verona. Tudo começou precisamente em 1913 e todos os anos, em chegando o Verão, cerca de meio milhão de pessoas ali se desloca para assistir a obras tão famosas como “Aída”, “Nabuco”, “Carmen”, “Barbeiro de Sevilha”, “Tosca”,… interpretadas por grandes nomes do mundo operático (Callas cantou ali diversas vezes).
Na Arena de Verona, o espectáculo recupera a sua dimensão mais popular, afinal a sua essência, pelo que não se estranhe que nas bancadas surjam milhares de velas acesas, enquanto a orquestra toca a abertura, como que a definir o tom encantatório da noite ou se peça para se bisar uma ária, coisa sacrílega numa sala rococó mas que ali colhe a deferência de quem interpreta.
Esta noite celebrou-se Verdi, numa magnifica gala onde cantores, orquestra, coro e corpo de baile interpretaram o I acto da “Traviata”, o II do “Rigoletto” e o IV do “Trovador”. Como sempre, perante a Arte, exultei numa solidão infinita. Eu estava lá!


