Um vale de lágrimas!

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Aquilo é que foi uma choradeira pegada, nem eu escapei. Também o caso não era para menos: talvez não saiba, mas os concorrentes, a partir do momento em que entraram na competição, passaram a viver numa outra casa que não a deles, longe dos seus.

Daí que o facto da caixa mistério ao esconder “tablets”, cada um com uma mensagem dos respectivos familiares, tenha desencadeado a mais sincera das emoções. Logo rolaram lágrimas de saudade por quem se ama e se quer perto. Foi dos momentos mais espessos e tocantes do Masterchef. Nem eu resisti… que nisto de pais e filhos encontro a minha fragilidade maior, talvez por ser filho de pais separados, neto de avós separados, sobrinho de tios separados… União alguma terá sobrado, dos que me deveriam ser nucleares, pelo que o conceito de família é-me coisa vaga, mas ao mesmo tempo fascinante pelo que conheço nos outros. Entendo família como casulo de interacção e afectos. Seguro e protector.

Amor foi o ingrediente que, não havendo no supermercado do Masterchef, todos souberam acrescentar às receitas sugeridas pelos respectivos familiares. Evocando as memórias e sortilégios da partilha, todos acabaram por se mostrar inspirados e sábios no momento de cozinhar. Daí que a tarefa não tenha sido fácil na hora de escolher o(a) vencedor(a) e logo nesta prova, que permitia uma ida a casa e imunidade para o desafio de eliminação. Fomos pela jardineira da Ana Rita, suculenta e equilibrada, mas também poderíamos ter optado pelo caril de camarão da Leonor, de tão bom que estava na maciez do marisco e no sabor e consistência do molho, a que não terá sido alheia a utilização dos quiabos.

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Voltámos à lezíria, agora em Samora Correia, e desta para descobrir a maior exploração agro-pecuária e florestal do país, nos seus quase vinte mil hectares. Neste magnifico cenário natural teria lugar mais uma prova de equipas, em que estas teriam de preparar ensopado de borrego e cabrito assado e assim dar de comer a algumas dezenas de trabalhadores da Companhia das Lezírias.

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Num sítio destes, onde dominam os belíssimos cavalos “puro lusitano”, só podia aproveitar todos minutos livres para fotografar, ou não andasse sempre de máquina à tiracolo.

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A prova haveria de decorrer sem grandes tumultos, antes seria marcada por uma Cristina hilária, pedindo desculpa ao cabrito, já mais que morto e esfolado, por lhe estar a separar a cabeça à machadada. Valeu-lhe a Margarida, já “farta” de tanta mariquice, ao tomar as rédeas da função.

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Sentámos-nos sobre fardos de palha, cobertos com mantas riscadas, as mesmas que os campinos usam quando passam a noite na lezíria, guardando o gado. Já a mesa corrida era primorosamente ataviada, de acordo com as características da refeição e do local. Por isso imperavam os barros, entre pratos e púcaros. De realçar, uma vez mais, o magnífico trabalho da “Food Team”, por nada deixar ao acaso, cuidando dos mais pequenos pormenores.

Também na prova de equipas a decisão não foi fácil. Melhor mesmo só o facto dos jurados não terem de escolher qual a vencedora, tal a qualidade das receitas apresentadas. Por uma mera questão de gosto pessoal optaria pelo cabrito no forno, mas igualmente me deliciei com o ensopado. Lembro-me de ter aconselhado a equipa vermelha a não servir arroz quando se sabia que havia batata e pão a acompanhar a carne. Em boa hora acataram o conselho, que o arroz em nada acrescentaria o ensopado. Que mania esta de atafulhar o prato de hidratos de carbono!

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Usaram-se ferraduras, para muitos poderoso talismã, por simbolizar a boa sorte, atrair prosperidade e afastar energias negativas, na hora de escolher a melhor das equipas. E, por apenas um voto, “ferrou-se” a equipa azul.

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Mas a última das provas, de novo na cozinha do Masterchef, ainda haveria de trazer mais surpresas. A Sónia decidiu salvar a Rita e a Margarida da prova de eliminação, o que aliás era previsível, defrontando-se assim com a Cristina, no “tudo ou nada” que dita sempre uma saída de competição. Entre as duas concorrentes nunca houve grande empatia e se alguém tinha dúvidas disso, tê-las-á tirado com o programa de hoje. Mesmo nos demais concorrentes há divisões em relação à simpatia que nutrem por uma ou por outra. O facto só apimenta o espectáculo televisivo. A prova, também ela diferente do que haviam sido as anteriores até aqui, deu a vitória à Sónia, que tem sabido mostrar de modo coerente e coeso o seu gosto pela cozinha. Como concorrente tem-se, igualmente, revelado segura nos passos a dar com o objectivo de chegar o mais longe possível na competição. A ver vamos…

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Saiu a Cristina. E sobre ela já ouvi de tudo um pouco. São vários os que a têm como arrogante, como se fosse pecado mostrar “atitude” na hora de defender pontos de vista. Apesar de com ela ter partilhado horas e horas de gravações, ainda que em papéis distintos, não sou leviano a ponto de julgar quem quer que seja sem conhecer. O que ali vi foi uma jovem que gosta de cozinhar, que sabe temperar e que conhece o produto. Veja-se o que aconteceu na prova de eliminação: foi a única a identificar, à primeira mordida, os peixes usados pelo chef convidado na confecção da sua caldeirada reinventada. A mesma que tinha de reproduzir, passo a passo, e que não conseguiu em pleno. Dizem-na de “nariz empinado”. Só porque enfrenta, de peito feito e palavra assertiva, todo e qualquer desafio?
Não entendo porque haveremos de andar de olhos pregados no chão, como que a pedir desculpa por existirmos. Não contem comigo para isso, digo eu… que também há quem me chame o mesmo!

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No próximo sábado:
Decididamente foram as lágrimas a temperar o programa desta noite. A meu ver, o melhor até aqui, a marcar uma nítida mudança no desempenho geral dos concorrentes. Será que vão manter o padrão de qualidade que hoje exibiram? Isso logo veremos, até porque, para já, merecem uma recompensa. E tê-la-ão, em terras “para lá do cú de Judas!”, num cenário idílico e que muito nos deve orgulhar. Mas, por outro lado, vão ser enganados “cá com uma pinta!”. Que isto no Masterchef nem tudo o que parece é!
Não perca o próximo programa e viaje connosco.