A bicharada lá do monte aumenta a cada semana. Depois das éguas e da poldra (4), das ovelhas (20) e das rolas (3, por enquanto, que já há ninho), desta última ida fui surpreendido com três pintadas, à solta no terreiro, ao que vim a saber compradas no mercado dos sábados em Estremoz. Um macho para duas fêmeas e viva a bigamia… entre pintadas. Para quem não saiba do que estou a falar, por não as conhecer como pintadas, diga-se que estas aves também são chamadas de galinhas de Angola ou da Guiné (África é o seu berço) e, segundo alguns, teremos sido nós a (re)introduzi-las na Europa, nos idos de quinhentos, como aves ornamentais, se bem que acabassem por vir a triunfar nas mesas mais exigentes. A sua carne é suculenta e saborosa e por isso, em alguns países, em chegando a quadra natalina as pintadas acabam por ter a mesma sorte da do perú. Gosto da sua carne, particularmente do peito, como aliás acontece com todas as aves, mas estas três podem estar descansadas que hão-de morrer de caquéticas, assim escapando ao tacho. É que se há atributo que lhes é reconhecido é o de serem implacáveis com tudo o que seja bicho rastejante. Dão conta das formigas, aranhiços, lagartos, ratos e até cobras. Regalo-me é com seus ovos, que em dois dias já foram quatro, para acabarem batidos com manteiga e amaciados em lume suave.



