Uma tarde de afectos

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Entendo as Universidades Séniores como importantes projectos de promoção de aprendizagens junto de uma população que uns quantos, errada e egoístamente, consideram desinteressada e desinteressante. Promover actividades entre os mais velhos é dar-lhes a importância que realmente lhes é devida. Através das Universidades Séniores podem-se descobrir novos interesses, encontrando neles objectivos para uma vida que não tem de se finar prematuramente, ou, quem sabe, realizar sonhos que a Vida, por qualquer razão, terá adiado. Sem paternalismos bacocos e demagógicos o que se pretende é valorizar o indivíduo, com as todas as mais valias que a idade pode trazer. “Até ao lavar dos cestos é vindima”, diz o povo. Então, que se vindime a Vida com qualidade e dignidade até ao último instante.

Como poderia recusar um convite para conversar, o tempo que fosse, com quantos promovem e frequentam a Universidade Sénior de Monforte? Jubilo por a saber iniciativa da autarquia, prova de que quem preside aos destinos do concelho de Monforte (Gonçalo Lagem) está atento às necessidades da sua comunidade. Basta vê-lo no contacto afável e interessado, de todos os dias, com quantos se cruzam com ele na rua. É esse o sortilégio da política autarquia, o de poder contribuir, a curto ou médio prazo, para o bem estar, a todos os níveis, de uma comunidade, gerindo consensos, estabelecendo equilíbrios, fazendo obra e chamando todos à responsabilidade, que lhes cabe, na promoção e valorização do concelho onde vivem.

Foi uma tarde de afectos que aproveitei para saudar cada um dos presentes, por me receber de braços abertos. Ter um pedacinho deste chão era sonho muito antigo que só agora consegui concretizar. Foi disso que lhes falei. Da importância dos sonhos e de como a Vida me tem possibilitado alcançá-los, talvez por ter aprendido a não me desviar do essencial, a não perder tempo com o que realmente não tem importância. Naquela tarde quis saber dos outros, do que têm a dizer, a contar, a acrescentar. E percebi como se sentem felizes por viverem neste imenso Alentejo, onde o olhar se rasga para além do horizonte. Falam da sua freguesia com orgulho, como se fora a mais bonita: “tem de ir a Assumar, fica a nove quilómetros daqui. Temos lá a antiga coutada real. E em havendo festa há largada, não pode faltar!”. É o que eu digo, em cousas de touros não sou aficcionado, mas sou fiel aos amigos e tenho-os de toda uma Vida aqui bem perto. “Se precisar de alguma coisa, diga” – e assim se alimenta a solidariedade entre vizinhos, encurtando lonjuras.”Tenho muitas túberas congeladas. Amanhã quer lá ir a casa para um petisco?” – abrem-se portas e corações a quem venha por bem, e isto de aparecer na televisão todos os dias, com verdade, a minha verdade, faz de mim um lá de casa.

Naquela tarde senti que passei a ser um deles e tudo farei para honrar este chão e esta confiança.
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Este pequeno vídeo foi possível graças a uma empresa de Elvas, a “Perspetiva“, um órgão de informação profissional online, com os mais diversos conteúdos generalistas. Os seus profissionais estão disponíveis para a execução de vídeos promocionais aéreos, documentários, filmes publicitários, entre outros serviços. Consulte em www.perspectiva.com

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11 comentários a “Uma tarde de afectos

  1. Antonia Ramalho

    Adorei essa tarde na Biblioteca. Foi com muito gosto que ouvi as suas palavras e adorei que me tivesse autografado os seus livros, agora meus. Gostei tambem muito de conversar com o Rui e ver como voces são pessoas espetaculares com que adorei falar. Se precisarem alguma coisa, so dizer, a partir de agora são dos nossos e e um orgulho ter connosco esse SENHOR Manuel Luis Goucha.

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  2. Carla

    Manuel
    Só agora consegui ver o video, adorei.
    Palavras sábias

    Velho é sempre sinónimo de sabedoria, é sempre alguem que me acrescenta.

    Abraço
    Carla

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  3. Carla

    Manuel
    Bela reportagem, além de bom cozinheiro o Rui também é bom fotografo, gosto do seu sorriso parece genuíno. Um sorriso solto.
    Sei do que fala, nos meus 44 anos de vida o Alentejo também o meu poiso preferido.
    As trocas de alimentos no verão é coisa habitual entre vizinhos, vi isso vezes sem conta.
    Vizinha se precisar disto diga tenho muitos… às vezes batem à porta venho trazer uma mão cheinha de ervilhas, favas para o vosso almoço.
    A minha avó no verão enchia a casa , os quartos debaixo da cama com melões, melancias.
    Vou levar isto à vizinha x, e trazia sempre algo que a vizinha lhe tinha dado.
    Que saudades… o cheiro da casa da minha avó era especial, as vizinhas dizem-nos.
    Têm que vir cá mais vezes, gostamos de os ver.
    Ainda se vai surpreender com muita coisa, os alentejanos são gente simples, afável, mesmo tendo pouco sabem partilhar, sabem tocar o outro. Quero ouvir a entrevista, com certeza que vou beber mais palavras suas.
    Esta é a terra onde vou, terra do José Alho fica a 12 km de Beja.
    Gostava que fosse à casa da minha madrinha ia ficar muito feliz é sua fã, uma joia de pessoa, pessoas como ela há poucas, toda a gente gosta dela, José Alho é visitante assíduo da sua casa.

    NB- Um vai ter que escrever um livro sobre a vida, como a disfrutar o melhor possível dela, há pessoas que precisam desses ensinamentos. Pense nisso 🙂

    http://fotografiadejoaopalmela.blogs.sapo.pt/298815.html

    Abraço
    Aos 2
    Carla

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  4. Pingback: Perspetiva no “Cabaré do Goucha” – Perspetiva

  5. Gi

    Adorei a entrevista ,obrigada por todas as suas partilhas que me enriquecem.Continue o grande senhor que é ,contribuindo para uma sociedade diferente.

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