O Monte da Sempre Noiva

O Monte da Sempre Noiva 1

Pois não deu para lá entrar e assim vê-lo de frente, que a propriedade é privada e os senhores estavam em casa a dormir a sesta. É agora dos herdeiros de Arsénio Cordeiro (estudioso e conhecedor do mundo equestre e um dos grandes responsáveis pelo livro genealógico do cavalo lusitano) este paço construído na transição do século XV para o XVI e a ele se liga uma lenda, a da “sempre noiva”, ainda que se lhe conheçam, pelo menos, duas versões. Em qualquer uma delas há uma donzela que fica eternamente à espera de casar, seja Beatriz, filha de D. Afonso, bispo de Évora, noiva de um nobre espanhol até ao dia em que este fugiu a sete pés dos cornos de um touro tresmalhado que lhes saltou ao caminho (valeu-lhe a valentia de um maioral que a salvou e por quem se apaixonaria. O pai porém não permitiria o casório com um homem de condição mais baixa, preferindo então Beatriz ficar para tia), seja a dama que ficou nubente em má altura, logo quando a vila de Arraiolos foi atacada e o noivo teve de partir para combater (neste caso era o tempo das lutas entre cristãos e mouros). Diz a lenda que passaram muitos anos, tantos que quando o noivo voltou já a prometida havia perdido toda a sua beleza e por isso se apresentou embrulhada num tapete (de Arraiolos).

Também o paço se ressente das marcas do tempo porém não perdeu a dignidade. “Lá dentro é uma beleza, só visto!” – quem o diz é a sua simpática caseira que me contou as lendas e diz não ter medo de almas penadas. Deu para tirar fotografias do lado de fora e perceber que também o exterior conserva ainda alguns elementos arquitectónicos e decorativos que felizmente resistiram. Pena não estar pintado… de branco, que nem bolo da sempre noiva. Gosto de casas com história(s).

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2 comentários a “O Monte da Sempre Noiva

  1. Flor Pereira

    Obrigada por publicar e dar a conhecer o Monte da Sempre Noiva. A lenda que conheço é sobre uma donzela muito vaidosa que, no dia do casamento, não gostou de nenhum vestido que lhe foi apresentado e, tanto tempo demorou nesses atavios que casou enrolada nuns panos. Arraiolos minha terra que tão longe me vai ficando….
    Bem haja.
    Abraço.

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  2. Carla

    Manuel
    Não é só a pintura que falta, ao seu redor parece abandonado falta cor, verde, flores, vida.
    Se tivesse nas suas mãos a cor seria outra, a cor da vida.
    Gostei do que conta, de almas penadas está o mundo cheio e algumas estão bem vivas.

    O homem é a sua alma.
    Sócrates

    Carla

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