Eu e “uma mulher de sonho”

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Volta e meia vem a Portugal, tem amigos por cá e uma paixão antiga pelo cavalo Lusitano. Quando com ela conversei há vinte e três anos estava longe de saber que também eu um dia viria a apaixonar-me por esta raça tão nobre e antiga. Na altura, a actriz disse ter um rancho em Santa Bárbara, na Califórnia, a 160 Kms de Los Angeles, com muitos animais, e onde fazia criação de cavalos Lusitano: “Para mim são os melhores cavalos do Mundo”. Foi esta paixão que também a ligou ao cavaleiro João Moura, na década de oitenta, se bem que a imprensa da época tivesse visto nessa relação mais do que uma sincera amizade:

“Entre nós não houve nada mais, acredite. Hoje é divertido lembrar essa história inventada pelos jornais. Com ele partilhei o gosto pelos cavalos. E vê-lo montar foi como que uma visão! Ele era espectacular! Isso que disseram foi uma mentira. Os jornais inventam sempre coisas a nosso respeito. No início, isso magoava-me!”.

É o preço da fama? – perguntei. “Talvez o seja, se optarmos por viver em função das festas e outros eventos públicos. Também por isso prefiro o meu rancho e os meus animais. É sempre um regresso à terra, à paz, depois de dez ou mais dias seguidos de filmagens. Para trás fica um mundo louco de falsidade. O do cinema! Onde tudo é mentira, mesmo quando são
simpáticos, mesmo quando nos elogiam: és tão bonita… tão… tão… Nada disso é verdade!”

Convém lembrar que esta conversa decorreu no inicio dos anos noventa, quando Bo Dereck era gabada pela eloquência da sua beleza, ainda que conseguida através de umas quantas plásticas: peito, ventre, “bundinha” e bochechas tudo estava “nos conformes”. Apresentou-se-nos de calças de ganga malhada, botas de cano alto, camiseta preta e colete bordado num estonteamento de cores. Foi grande o impacto causado no estúdio pela sua elegância, certamente, mas muito também
pela sua simpatia e informalidade. E quando alguém a rotulava de “mulher de sonho”, numa alusão directa ao filme “10” de Blake Edwards, a bem dizer a primeira referência da sua carreira, era a própria a contestar: “não o sou, de todo! Essa era apenas uma personagem do filme. Foram os media que me rotularam assim. Creio que ninguém se quer tornar num sex-symbol. Mas repare que pode ser lisonjeiro, depende quem diz e porque o diz. Se, realmente, for dito com boa intenção, poderá trazer até algumas vantagens”.

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O cinema acontece na sua vida um pouco por acaso: “nunca me passou pela cabeça vir a ser uma actriz. Cresci nas praias… fazia surf. Nunca me preocupei com aquilo que viria a ser na vida. Divertia-me, só isso!”. Foi o cinema que veio ao meu encontro. Quando se vive perto de Hollywood conhecem-se muitas pessoas do meio. E de repente está-se no mundo do cinema. Foi o que aconteceu comigo!”.

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Recordo que quem a acompanhou na vinda a Portugal, para a gravação do programa “Momentos de Glória”, foi o próprio marido, o realizador John Dereck, a quem se referiu de modo apaixonado: “Ele não é apenas o meu marido. Ele é a minha vida! Estamos juntos o tempo todo. Ele é muito criativo, eu não… eu sou o oposto. Dizem que os pólos se atraem, então talvez a nossa relação se baseie nisso. Não sei como poderia viver sem ele e o seu amor. Creio que não seria possível. Nele tudo me
interessa, até as suas ex-mulheres. Conheço a Linda (Evans) muito bem, e a Ursula (Andrews) é uma das minhas melhores amigas. É um amor profundo o que sinto por ele e já estamos há vinte anos!”. John Dereck manteve-se sempre a seu lado até à data da sua morte, em 1998.

Apesar de não ser tida como uma grande actriz e das criticas que já na altura fazia ao mundo do cinema, Bo Dereck (ou Mary Cathleen Collins) reconhecia que a ele devia a sua vida: “Por vezes sinto-me culpada por não ter trabalhado muito para conquistar tudo o que tenho. Pertencer ao mundo do cinema abre muitas portas. Fosse eu apenas uma rapariga da Califórnia e não teria, certamente, esta vida gloriosa!”.

Razão tinha o seu John, quando dizia ser o cinema o melhor dos cartões de crédito, com um “plafond” ilimitado!”.

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3 comentários a “Eu e “uma mulher de sonho”

  1. Gabriela Carvalho

    Ola Sr.º Manuel Luís Goucha, quando olha para estas fotografias só me lembro de “sebastião como tudo tudo” 🙂 aprecio mais a sua imagem agora. Tudo de bom, um beijinho.

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  2. Ana gomes

    Goucha fiquei estupefacta,ao ver estas lindas imagens, não me vai levar a mal por ser muito sincera. Hoje o Goucha está muito mas muito mais bonito e com um ar mais jovial, tudo de bom para ti e muitas felicidades Ana.

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