Dois Museus de uma assentada!

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Neste sábado quente de Agosto não havia outrem para além de nós, no Museu Nacional do Traje, ao Paço do Lumiar. É natural, dizem-me, dado o mês que é, já ao Domingo o caso muda de figura com as entradas gratuitas. Tanto melhor, que gosto assim para ver com calma tudo quanto me interessa, como se o Palácio Angeja-Palmela, assim chamado por ter sucessivamente pertencido às duas famílias, fosse agora meu, ainda que por hora e meia, para vaguear pelos seus salões, entre bustos, quais espectros, vestidos tal o usado entre o século XVII e os nossos dias. O Museu festeja agora os seus quarenta anos, tendo sido o primeiro a ser criado após a Revolução, com base numa colecção de 7000 peças, entre trajes e acessórios, idas do Museu Nacional dos Coches e que, em grande parte, haviam pertencido à Casa Real portuguesa. Actualmente o acervo é de quase 40.000 peças, mercê das doações de que o Museu tem beneficiado. Natália Correia Guedes foi a sua primeira e inspirada directora, seguir-se-lhe-ia Madalena Braz Teixeira, cujo perfil e iniciativas marcaram a dinâmica de todo o Museu durante três frutuosas décadas, sendo agora Clara Vaz Pinto, quem está no comando (lembro-me de a ter entrevistado pelo menos duas vezes, há muitos anos, no “Praça da Alegria” e de me ter impressionado o seu saber e a sua paixão pelas distintas colchas de Castelo Branco, dirigia na altura o Museu Tavares Proença Junior, naquela cidade).

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Dali fui pelo imenso jardim que o terceiro Marquês de Angeja mandou construir, para ir dar ao Palácio do Monteiro-Mor (era quem na Casa Real geria e dirigia as coutadas) que é onde podemos ver outros trajes, os de cena, tanto do teatro como da dança. Se o Palácio Angeja-Palmela está a precisar de algumas obras de restauro, ao nível dos interiores, também o jardim exige cuidados de preservação, o que de forma alguma lhe retira aprazibilidade.

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O Museu Nacional do Teatro e da Dança abriu a 4 de Fevereiro (tal qual o dia do nascimento de Almeida Garrett) de 1985, pela mão do seu fundador Victor Pavão dos Santos. Inúmeras vezes lhe escutei a paixão pelo Teatro e seus oficiantes, por isso sempre o soube como o homem certo no local certo. Hoje José Carlos Alvarez, o senhor que se lhe seguiu, mantém viva, com empenho e dedicação, a história do Teatro através dos trajes de “fazer de conta”, das maquetas, das fotografias, dos cartazes, dos adereços de cena … de tudo quanto o Museu exibe, sabendo-se que muito mais haverá em reserva, resultante também de doações, e que não faltarão exposições temporárias e demais eventos para que outros acervos subam ao “proscénio”.
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Do muito que há para ver destaco: o vestido que o figurinista Pinto de Campos desenhou para Amália, a pedido da própria, inspirado em motivos regionais, para usar na primeira parte de um memorável espectáculo que deu em Nova Iorque, no Lincoln Center. Amália tê-lo-á usado uma única vez, por o achar muito pesado. Mas lá que o vestido é um deslumbre…

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… a cadeira de Garrett que se julga do tempo dos Felipes. Abacial com leões, mais parece um trono. Como chegou à sua posse não se sabe ao certo, já que Garrett dizia ter sido pertença do seu tio bispo, D.Frei Alexandre da Sagrada Familia. D. Fernando II , admirador que era do escritor, terá comprado em leilão, após a sua morte, vários objectos que lhe haviam pertencido, entre os quais a cadeira, que acabaria por ficar na Pena por uns vinte anos ou mais. Por intercessão da Condessa d’Edla (segunda mulher do rei) a cadeira passaria para as mãos de Gomes de Amorim, também ele dramaturgo e romancista, que acaba por mais tarde a legar ao Conservatório.

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… e o extraordinário conjunto de marionetas de varão criadas por José Carlos Barros, que mais tarde as doou ao Museu, para o espectáculo de estreia da Companhia de Marionetas de Lisboa, em 1985, “D.Quixote e Sancho Pança”, com telões (os mesmos que integram a instalação exposta) de Lima de Freitas. Confesso que de tudo o que vi no Museu do Teatro foi o que mais me impressionou, pela estética e criatividade.

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www.museudotraje.gov.pt

www.museudoteatroedanca.gov.pt

5 comentários a “Dois Museus de uma assentada!

  1. Ana Simão

    Obrigada Manel por partilhar essa sua prosa deliciosa com tão belas fotografias conheço bem só que as vezes que fui não tirei fotos beijinhos para dois

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  2. BELINHA ANAHORY

    Mais uma vez Manuel Luis muitos parabens pela seus intereses , pelas belíssimas fotos e por ser quem é.
    Quando a minha mae faleceu há 29 anos, doei a esse museu imensas peças como brinquedos antigos, rendas , botões livros antigos e outras antiguidades.
    Elaboraram- me um folheto onde numeraram os artgos doados.
    Devido à maneira abruta e repentina que a minha mãe morreu, supostamente suicidou-se, e devido aos anos conturbados que passei ,nunca tive coragem de visitar o espaço mas agora depois deste artigo seu como sempre interessantíssimo é desta que vou fazer uma visita.

    Responder

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