De Manel para Manel (II)

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Há oito meses éramos todos ali naquela mesma sala, da Livraria Buchholz (quedando-­me à direita do Manel), para celebrarmos a sua vida. Oito meses depois, o que mudou? Muito pouco, digo eu, por termos estado ali, de novo a celebrar a sua vida. E lá estava ele, na cadeira aparentemente vazia… nos nossos corações… nas nossas memórias.

O Manel é daqueles (permitam­-me usar a frase de Saint­Exupery) “que passam por nós e não vão sós. Não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”. Muito nos deixou o Manel… Deixou-­nos a sua fina ironia, o seu humor, o seu jeito de provocar. E entendo estas qualidades como “armas” da liberdade. O humor, a ironia… são libertadores, por isso agitam, por isso incomodam. O Manel era um homem livre.

Deixou­-nos a sua Fé. Não falo da Fé (que também tinha, sendo que eu não tenho), tal e qual é entendida e propalada pelas religiões monoteístas que assentam na figura de um Deus, que não comporta qualquer análise empírica, falo sim de outra Fé que poderemos qualificar de confiança. Confiança em si próprio, confiança nos caminhos que escolheu. Confiança que gera confiança, e sem a qual não podemos avançar, progredir. Aquela que permite procurar, encontrar e fazer emergir a alegria, essência da Vida. A mesma confiança com que viveu e conviveu, nos últimos anos, com o cancro, revelando-­nos, através dela, a beleza da superação.

É este Manel que reencontramos agora ao lado do José Alberto Carvalho, senhor da televisão, mui digno e credível jornalista, neste livro que eterniza as conversas que tiveram e nós cumpliciámos através da TVI24 (no programa «28 Minutos e 7 Segundos de Vida»). Conversas que rasgam caminhos… que nos levam a reflectir, a pôr­-nos em causa, a agir. É um livro desassombrado, de lições várias, que nos interpela e inspira. Lê­-lo é ficar suspenso do que se diz a seguir, do que se vai revelar. É experimentar o encantamento, a inquietação. É ousar, é desejar, é sonhar, é (como o próprio diz e sua maravilhosa Helena lembra no prefácio) “pedir tudo, para termos quase tudo”.

Olha Manel, este aqui bem procura não se acorrentar a pequenos nadas e porque vai tentando não se distrair da Vida, é feliz. Obrigado.

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(fotos gentilmente cedidas por Cristina Nunes dos Santos)

4 comentários a “De Manel para Manel (II)

  1. Marisa

    Olá Manel| Já o trato assim, porque o conheço há tantos anos, entra sempre pela minha casa , pela sala sempre bem disposto com a sua Cristina. Foram os 2 que me acompanharam num período bastante conturbado.
    Tenho 1 linfoma desde 2011, curei, mas ele voltou de uma forma mais poderosa! Sempre que estive internada vocês eram a minha companhia, em casa a recuperar dos tratamentos agressivos também o foram. Quando fiz um auto transplante de medula, que durante 1 mês, estive fechada num quarto sem pder ver as minhas filhas de quase 10 anos. Tenho 34 anos e vivo o drama do cancro muito perto, tendo também um afilhado de 9 anos com um meduloblastoma. A nossa familia uniu-se mais. Mas também ficou mais baralhada. Ninguém é sempre forte! Eu , Manel, gostaria muito de ir ao vosso programa e ajudar muitos que pensam que não se consegue viver/ conviver com um cancro. Porque é possível. Gostaria também de vos conhecer a si e à Cristina! Tenho orgulho em vós e tenho muito em mim. Muito obrigada pela vossa companhia calorosa.
    Se acharem por bem contactar-me ( Eu brilharia) de felicidade. Deixo o meu contato: 934115060

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  2. Berta Veiga

    Custa-me entender e aceitar que quem tanto batalha,perca a guerra.Custa-me porque parece que partem os bons e pergunto-me porquê.Será que a fé que o Manel sentia era como que uma bóia de salvação?será que acreditava mesmo em deus?ou era a sua fé e a sua vontade de viver que o faziam acreditar em algo superior? Não sei,nem nunca irei saber.Conhecia-o(se é que se pode dizer a palavra conhecer)da tv,de o ver e ouvir e gostava da pessoa que via e ouvia.Culta,educada,bem humorada e acima de tudo feliz.É pena que não tenha ganho esta batalha com o maldito cancro.Ficamos mais pobres e resta-nos apenas,recordar….

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  3. alda maria

    O Manuel Forjaz é uma inspiração para mim, vi revi e gravei todos os programas dos 28 minutos e 7 segundos, consegui comprar o livro dele e assim que consiga juntar os euros vou comprar este.
    Tenho uma amiga de infância com o mesmo problema que o levou e têm sido algumas das palavras do Manuel que me vão dando força para a ajudar a ela.
    É bom que nos lembremos sempre de não nos podemos distrair da vida!

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