Bootcamp – Campo de treino culinário

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Um ano depois lá voltámos ao “Lx Factory”. Um espaço da cidade, para os lados de Alcântara, que no século XIX havia sido um dos mais importantes complexos fabris da capital, apresentando-se hoje com uma “ilha” ocupada por empresas e criadores das áreas da moda, da publicidade, do marketing, da arte, da arquitectura, da música… Foi aqui que na edição anterior do MasterChef também se realizou o chamado “bootcamp”, que foi quando o pão, como protagonista, deu “água pela barba” aos ainda muitos candidatos a concorrentes. A atrapalhação foi tal que se perderam alguns possíveis bons aspirantes, dadas as provas anteriores prestadas na cozinha de preparação.

Mas isso são “águas passadas”, que o que agora interessa é a prova deste ano, que acabou de ver, e onde reinou, vindo das águas frias da Noruega, o nosso tão estimado bacalhau. A sua entrada em cena fez-se pela mão de verdadeiros homens do mar e não de figurantes, como poderia supor, num momento de grande aparato. O caso não era para menos, do bacalhau tão ligado à nossa identidade, havia de tudo, do fresco ao seco, caras, sames, línguas, ovas, lombos do alto… mas a estrela maior seria o skrei, o bacalhau dos bacalhaus. Mais comprido e delgado que os demais, apresenta-se de carne mais compacta e macia. Se para os noruegueses o skrei é desde há muito o manjar nacional, este conquistou o restante da Europa na década de oitenta pelas mãos de Paul Bocuse. Infelizmente, que eu me lembre, nenhum candidato o usou, talvez por não conhecerem as virtudes do produto. Que o programa também sirva para isso.

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A prova decorreu com normalidade, sem atropelos, e no final, provadas todas as receitas, houve que rejeitar dez candidatos para continuarmos com vinte em prova. O caso mais flagrante terá sido o do terceirense Carlos Brum da Silva, ao apresentar-nos umas ovas empedernidas. Deu nas vistas na semana passada por se assumir fanzaço da seleção nacional, a ponto de se vestir, da cabeça ao pés, com as cores da dita e de a acompanhar mundo fora,  sempre que pode. Em casa diz cozinhar vinte e oito dias por mês, deixando os restantes para a mulher. Do que gosta mesmo é de o fazer para grupos, mas em casa não podem ser mais de vinte à mesa, porque diz só ter dezoito cadeiras!!! Independentemente da sua originalidade, o que o tornaria num concorrente bem interessante, não poderia ter-lhe corrido pior a prova e é isso que temos de avaliar. A Paula aventurou-se num bacalhau à Brás, das receitas mais vilipendiadas na edição anterior, e não é que acertou na cremosidade da mistura de bacalhau e ovo, e na crocância da batata palha!? Quem sai aos seus não degenera, diz a sabedoria popular. Paula é filha de um chef dos antigos, feito na tarimba, mas nem sempre os ditados são infalíveis e o certo é que mais adiante será a mesma concorrente dispensada por nos apresentar um arroz encruado. A Eva também passou e… chorou, de alegria, desta vez. Neste ajuste de contas com o MasterChef, no mesmo local onde há um ano panicou, exibiu uma receita de bacalhau saborosa, acompanhada com um macio e bem ligado puré de couve-flor.

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Já o restante do programa foi gravado na cozinha do MasterChef, desta vez instalada nos estúdios da Barroca d’Alva, uma herdade com mil e seiscentos hectares, propriedade de José Samuel Lupi, afamado cavaleiro tauromáquico, lá para as bandas de Alcochete, que é terra antiga e merece uma visita atenta já que vários são os motivos de interesse que ali podemos encontrar (sabia que D.Manuel I nasceu em Alcochete? E possivelmente na mesma quinta onde eu pernoito, sempre que há gravações até final da tarde e na manhã seguinte. Mas isso são “outros quinhentos” que em breve me levarão a prosar).

Impressiona entrar, pela primeira vez, na cozinha do MasterChef, dada a sua grandiosidade. O cenário é cuidado ao mais pequeno detalhe, aumentou o espaço de supermercado onde se exibem os melhores produtos com a qualidade do “El Corte Inglês”, bem como o que acomoda todo o material de empratamento e electrodomésticos a utilizar pelos concorrentes, podendo estes contar com a qualidade da marca Kenwood, onde não falta o mais recente modelo de robot de cozinha, que só por si merece em breve um escrito à parte. Mais à larga também se apresenta o restaurante MasterChef, usado para o momento de provar as receitas da temível prova de eliminação e para receber convidados especiais.

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A prova de apuramento que se seguiu decorreu, como pôde ver, em duas rondas, dez candidatos em cada, com um tema comum, o do arroz, se bem que os últimos dez tivessem ficado em ânsias para saber que hidrato lhes caberia em sorte (maroteiras de um programa de televisão!). A marca Cigala amadrinhou a prova, com duas das mais populares variedades de arroz: o agulha, de grão longo, ideal para arrozes soltos, de forno por exemplo, ou de acompanhamento, e o carolino, variedade bem nossa, de grão mais miúdo, aconselhado para arrozes mais caldosos, “a fugir do prato”, sem esquecer o arroz-doce.

O que os candidatos não sabiam é que nós, os jurados, poderíamos não esperar pelo final da prova para expulsar um ou outro que pelo andamento da confecção logo nos desse a perceber que a opção e execução da receita não teriam cabimento. O conceito MasterChef tem centenas de regras, contornos e subtilezas, que a maioria desconhece, por isso também é um espectáculo televisivo tão desafiante e apaixonante para quem o faz. Foi isso mesmo que aconteceu com o Nuno, o jovem jogador de râguebi que ambiciona ter uma pastelaria, ao ter optado por um arroz branco que mais parecia coisinha para doentes, porque deslavado e insípido, apenas acompanhado de legumes. Por isso o Manuel, o jovem arquitecto que na semana passada nos surpreendeu (e de que maneira!) com um caril verde, não estar a perceber peva do que se estava a passar.

À Olga ia-lhe dando o badagaio. Viu a sua tensão arterial a subir e teve de ser assistida pelos bombeiros de plantão. Tudo por causa da saída do António Salvador, o cinquentão de raízes alentejanas, que esperava que o MasterChef fosse uma rampa de lançamento para um sonho que há muito acalenta: o de desenvolver um projecto de “catering” personalizado. Pena que o seu caril o tenha traído. Já o arroz de fumeiro da Marita deixou as melhores recordações, pela cozedura e sabor.

Chegámos a uma terceira e última fase de apuramento, que era quando restavam a Marta e o Alessandro, salva que foi a Joana, sendo que apenas um podia entrar. O despique foi carregado de grande tensão. E o Alessando não entrou por um… filete de cavala. A Marta levou a melhor, já antes havia mostrado que sabia filetar. Alessandro é rejeitado, e percebe-se que não digere bem a derrota (confessar-me-ia muito mais tarde que levou dois dias para recuperar). Terá sido um momento particularmente difícil para a Silvia, sua mulher, ela sim indiscutivelmente em prova e pelos vistos a conquistar o agrado da maioria dos que seguem o programa. E isto ainda nem começou!

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Estão finalmente encontrados os quinze aspirantes ao título MasterChef Portugal. Ei-los:

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Cátia, Pedro, Manuel e Eva

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Leonel, Joana, Silvia e Macedo

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Marita, Olga, Márcio e Marta

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Ann Kristin, Vânia e Renata

Agora sim, começa verdadeiramente a competição. Os quinze concorrentes já não voltam para suas casas. Durante os próximos meses vão viver juntos, numa casa sem televisão, sem internet, sem telemóveis e longe dos seus, apenas focados na competição. Em jogo uma bolsa de estudos para tirar um curso completo de cozinha e pastelaria, de nove meses, no valor aproximado de 40.000 euros, na mais famosa escola de cozinha do Mundo: “Le Cordon Bleu”, em Madrid, a feitura de um livro de receitas com as receitas do(a) vencedor(a) e o troféu que materializa o título de MasterChef Portugal 2015.

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No próximo programa:

A primeira prova de equipas. Lembra-se da edição do ano passado? Só no nono programa, o que decorreu na Companhia das Lezírias, é que as equipas começaram a cozinhar muito bem. Como se irão portar estes aspirantes no primeiro desafio no exterior e logo tendo de cozinhar para os convidados de um casamento? Só mesmo um programa de televisão para me fazer ir a um casório. Sempre quero ver se as senhoras acabam descalças e eles de gravata à banda ou na testa. Não perca!

2 comentários a “Bootcamp – Campo de treino culinário

  1. Paula Pereira

    Boa tarde meu Querido Manuel Luis, foi com muita pena que não entrei no ToP 15, mas acabei por conhecer Pessoas fantásticas e viver uma experiência inesquecível. Tive o gosto doce de pisar a cozinha Masterchef e o amargo de não ter ficado e tudo à distancia de um grão de arroz :-)
    Muita pena também de não ter estado consigo no Você na TV, da semana passada, alias todos tivemos. Na minha emotiva saída não tive oportunidade de me despedir de si, por envio-lhe um abraço muito forte.
    Desejo-lhe muito sucesso e espero um até breve
    Paula Pereira

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  2. Beatriz

    Bom dia excelentíssimo Manuel :-)
    Mais uma vez não consegui ver o programa Sábado e só pude vê-lo ontem.
    Um programa recheado de emoções.Novamente do inicio ao fim fiquei com os olhos colados ao ecrã.
    Adorei que a Eva Gonçalves tenha ganho um avental com o nome dela e no top 15 do Masterchef,finalmente aguentou a pressão. Com ela tanto ri como chorei e foi bem merecido o seu lugar na cozinha do Masterchef.Espero que vá longe no programa.
    Também gostei muito que a italiana Silvia tenha conseguido um lugar.Gosto da personalidade dela e faz-me dar gargalhadas com a sua maneira de ser.
    Fiquei contente quando vi que a Marita também ganhou o avental. Senti que ali estava um sonho que a algum tempo queria concretizar e finalmente está a dar os primeiros passos nesse sentido.
    Dos homens achei piada ao Manuel e ao Márcio, este último faz-me lembrar muito um concorrente da edição anterior.
    E foi com a maior pena minha que vi o marido da Silvia a abandonar a cozinha do Masterchef, gostava dele, mas sei que a Marta foi a justa vencedora do desafio que tinham realizado.
    E mais uma vez já me alonguei imenso no meu comentário. Muito mais tinha para dizer mas o principal foi dito.
    Um enorme bem haja e um abraço para si e os seus colegas, por serem alem de extraordinarios seres humanos, serem profissionais exemplares.

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