Basta!

violencia domestica
[Foto de campanha contra a violência doméstica (revista Activa)]

Ando há anos a perorar contra a violência doméstica, fazendo da minha exposição pública tribuna maior para denunciar aquilo que entendo como um cancro da nossa sociedade assente em caducos hábitos de posse presentes desde sempre em todas as classes sociais, económicas e culturais.

Como entender que após mais de vinte e anos de campanhas de informação e sensibilização contra a violência doméstica e a mudança do olhar da justiça face a tais agressões, considerando-as crime público, continuemos como se não tivéssemos trilhado já esse caminho. Todos os dias somos confrontados com relatos de agressões a mulheres e o número de mortes às mãos dos seus companheiros ou maridos, não pára de aumentar. Então o que não está a resultar? Será que a escola está a cumprir o seu papel de educar, também civicamente, trazendo para a sala de de aula questões tão basilares e normativas como o respeito pelo outro?. Temo que não, que se há coisa que me tira do sério é saber que há adolescentes maltratadas pelos seus namorados. Será que há mesmo uma rede eficaz de apoio à vítima, para que ela possa em segurança seguir com a sua vida enquanto espera que se faça Justiça?. Temo que não, que independentemente de tudo quanto é feito no terreno, e muito pelas IPSS,  sabemos que os meios são insuficientes e não conseguem dar resposta adequada à dimensão do problema. Será que a Justiça tem mão pesada, só por si dissuasora,  para com tão desprezíveis seres que de homens pouco têm? Temo que não, ou melhor, depende do ajuizador, que interpreta a lei segundo as suas convicções ou demónios. Não foi a um juiz do Tribunal de Setúbal que ouvi dizer, em plena audiência: “senhor Goucha, nem sempre uma bofetada dada numa mulher é violência!”?

Pois, no código penal egípcio também lá diz que uma mulher agredida com boas intenções pelo marido não tem direito a qualquer reparação!!! Que boas intenções podem presidir a um acto de agressão?

Uma banal bofetada não é uma carícia, é um acto destrutivo. E não pode a agredida permitir que se repita. Porque se nada fizer, repetir-se-á, tenho isso tão certo como dois e dois serem quatro.

Este fim de semana estive com centenas de pessoas em Matosinhos, mulheres essencialmente. Uma houve que esperou na fila duas horas para me dizer: “pus fim à minha relação depois de muito sofrimento e foi o Manuel que me deu essa força através do que diz no seu programa. Não tenho dinheiro para comprar o seu livro mas tinha que vir dizer-lhe isto”. É por estas mulheres que não me calarei. Não se cale também. Apresente queixa. Denuncie.

Quanto mais ele bater, menos você gostará de si. Anulando-se e isolando-se está a dar-lhe força, uma força que ele não tem, porque homúnculo sem valores que não seja a bestialidade. E não me venham os algozes desculpar-se com o amor. O amor é o que temos de melhor para propor e não o pior!

10 comentários a “Basta!

  1. Isabel Franco

    E um tema bastante subjectivo e de que se pode falar bastante e desde diversos ambitos. Todos voces
    falam com razao mas ninguem tocou no tema que a mim tambem me preocupa muito, uma nova geraçao
    que ja começa a dar sinais de muito machismo e maltrato especialmente psicologico.
    Eu tenho chorado muito porque o namorado da minha filha esta a unularla e a deixar la sem personalidade,
    ela ve o que lhe esta a passar mas nao quer aceitar. Perdoa tudo, insultos, controle, ciumes e so nos responde que gosta dele. Faltou dizer que os dois teem 17 anos e estou cansada de ver como se isola e passa dias e noites
    a chorar.

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  2. Natasha Nalente

    Boa tarde

    Hoje ouvi o manuel dizer que tinha que se controlar em relacao a violência domestica….nao o faça.
    Durantes anos fui vitima de violência domestica numa altura em que nao era considerado um crime publico e se as pessoas a minha volta se tivessem calado (apesar de eu nao querer ouvir e achar sempre que ia melhorar) ainda hoje sofria de violencia domestica porque acredite que chega uma altura que ouvimos….que olhamos ao espelho e ja nao nos conhecemos e no meu caso tinha 19 anos….e levantei me e hoje nao permito que berrem comigo que me toquem….por isso nao se cale NUNCA!!!!!

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  3. Isabel Gomes

    Boa tarde,

    No nosso país a justifica nao funciona e este problema esta longe de ter soluçao. Eu ja fiz queixa de violencia domestica e no dia a seguir a ” amante” que se identificou como actual mulher deslocou se ao comando onde fiz a queixa e porque conhecia meio mundo la dentro deram lhe todas as informacoes da minha queixa. Se a intencao era me sentr segura com a queix que fiz deixei entao de acreditar nas nossas autoridades… Mas espero para bem dos meus filhos que tudo isto mude. Eles merecem viver num pais em que se faca justica

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  4. Regina

    Caro Manuel Luis Goucha,
    Admiro-lhe a tenacidade na luta contra a violência!
    Porém, está na altura de mudar o conceito arcaico de que “somos confrontados com relatos de agressões a mulheres”…como se fossem poucos os homens molestados e agredidos.
    Infelizmente são de tal modo ignoradas as queixas vindas do masculino (desde risotas na GNR ao desprezo da justiça), de que também eles são agredidos por mulheres violentamente, que estes mesmos, agora são os primeiros a ter vergonha de admitir o seu sofrimento,
    Fica aqui o reparo porque tenho amigos HOMENS que viveram e vivem a dor da violência, pelas mãos de mulheres desequilibradas, francamente hipócritas e quase sempre verdadeiras “artistas” do disfarce…coitadinhas.

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  5. carla

    Manuel palavras para quê?
    Admiro-o muito, não se cale as suas palavras chegam a bom porto!
    Utilizar os meios de comunicação para divulgar o que está mal, é fazer boa televisão.
    Esse juíz, deve ter a mentalidade do outro que foi acusado de violência doméstica, pena que os senhores que ditam sentenças cometam os mesmos crimes. Será por se sentirem superiores aos outros ou por malvadez inteligente?
    Gosto de quem representa a campanha.

    carla

    Carla

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  6. Artur

    Sera que esta propaganda ajuda! Duvido, ” nem toda a farinha e do mesmo saco” hoje é facil acusar o homem de violencia doméstica, sinto-me o justiçado abandonado, não acredito na justiça, uma mulher pode inventar mentiras, pode autoagredir-se e dizer que é o companheiro, mentir e mais mentiras e julga-se logo que as falsidades prevalecem, onde existe o direito da igualdade!? Sim palavras foi mais que um murro de um pugilista, mentiras então, procurar a verdade… Não! Pergunto quantas mulheres se estao a aproveitar disto???????? Quantis homens se sentem injustiçados, a justiça procura a verdade? Sim o homem tem mais testoterona e a mulher sabe bem magoar com palavras como ” tens uma relação amorosa com a tua mãe e irmã” sim defendo a não violencia, nunca agredi mas sou condenado pela justiça porque a mentira da mulher faz mais sentido, estão a vedar a minha liberdade acusar com coisas sem sentido Ok Goucha continua! Querem mudar onde nos levara esta propaganda, mudar a razão das coisas e dis juizes para condenarem logo sem apurar a verdade, de facto eu também me posso agredir e dizer que foi a minha companheira, pois é! Sinto isso na pele, estou revoltado porque a mentira prevalece e a verdade cai em descrédito, hoje e facil lixar o outro para se conseguir o seu mal e tirar proveito disto tudo para um pai não ver a filha para conseguir dinheiro, e vai ser assim, falou-se muito do Paulito, disseram a verdade na comunicação social, a justiça foi justa? O desespero de um homem o injustiçado, que revolta sentia que o levou a fazer tal, não sera a justiça que fez mal o trabalho? A mentira prevaleceu, defendeu-se os direitos de um outro ser, o direito de igualdade…. Sou contra a violência mas condenar não sem se apurar a verdade e a justiça portuguesa com esta propaganda ainda menos, sou homem e sinto que nada funciona e que mais mulheres usaram isto como pretexto para condenarem o homem

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  7. Artur

    Quando tal propaganda se instala muita gente se aproveita para alcançar outros fins, sera que a justiça portuguesa esta preparada para isto? Pois sinto que e facil acusa outro de violencia domestica. sim e muito bem palavras e insultos doi mais que um murro de um dois, uma mulher pode-se autoagredir-se e dizer que foi o marido? ???? Mentiras inventadas e a justiça portuguêsa cria um senso que se enquadra para todos os casos, uma mulher que faz isto nãoao e violencia domestica?? Existe o direito de igualdade e de liberdade do. outro ?Não esta gente e a nossa justiça é. um frAcasso ” pois nem toda a farinha e di mesmo saco” hoje co esta propaganda a que se torna facil condenar logo prevalecendo a mentira . Ok. inveStigar. e apurar realmente não! condena-se e pronto e mais facil e mais rápidoo, veremos onde cnde chegaremos, resolver as situações da melhor forma equitativa, nã defende se o supostamente direito da mulher, não acredito que isto vá continuar e os direitos de igualdade na justiça não funciona e as propagandas não n. e quem sofre com a injustiça com mentiras descabidas. um dia falarei Na comunicação social

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    1. MLG

      Obrigado Artur pelo seu comentário.
      Não digo que não haja quem minta, cabe à Justiça apurar a verdade, mas sabemos bem que a violência domestica é uma realidade no nosso país há muito tempo. Entre marido e mulher há que meter a colher, quando os factos apontam para a violência no casal.

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  8. Berta Veiga

    Essa desse juiz, fica para a história….quem ama cuida e não maltrata!!!e este ano,parece que está a ser o pior.Faltam 2 meses e uns dias para acabar o ano e já se perdeu a conta ás mortes em nome do dito amor.

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